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azar o seu querida.

[por uma vida menos ordinária.]

 

Quinta-feira, Junho 30, 2005


o exercício das pequenas coisas

Dear P.

Quando me dá vontade de cantarolar, mesmo estando com a bunda numa privada gelada, num frio de 18°, eu penso em você. E penso em você quando sinto o vento frio nas maçãs do rosto e as pontas dos dedos adormecerem. E quando deixo a água quente escorrer pelas costas doídas. Quando Nina Simone e Billie Holliday cantam pra eu dormir; quando danço sozinha na sala da minha casa, quando tomo suco de morango, quando tenho vontade de desenhar, quando faço uma foto legal, quando como pipoca. Quando mexo as pernas sob o edredon pra sentir o calor do tecido; quando sinto saudade, quando choro baixinho; quando o céu está com aquele tom de azul; quando chego em casa tarde depois de um dia exaustivo e posso tirar os sapatos e sentir o chão gelado da cozinha. E eu pensei em você quando aquela menina chorando na escadaria do metrô sorriu pra mim e disse que ia ficar bem. Também pensei em você quando uma criança riu e riu e riu apontando pro pirulito que eu escondia na boca aquele dia no ônibus. Quando ganhei uma rosa pela primeira vez no dia dos namorados, quando soube que ia trabalhar naquele lugar que eu queria tanto, quando ouvi aquela orquestra no parque e me lembrei daquele desenho animado do urso dançante; quando fui buscar a grande amiga no aeroporto, quando ganhei o disco da Rita Lee que eu tanto queria, quando senti os tambores do maracatu da Nação Zumbi baterem do lado de dentro; quando imagino trilha sonora pra tudo, quando comi pimenta até a língua ficar dormente no restaurante mexicano, quando tiramos os sapatos no restaurante japonês e quando nos divertimos horrores no restaurante italiano. Quando eu penso que ele podia estar junto, quando penso no quanto eu quis fazer feliz, e quando lembro que no fim eu não sou ninguém pra saber o que é melhor...Quando minha mãe liga pra dizer que me ama, quando sonho com o meu pai, quando sinto cheiro de fruta, quando como chocolate, quando recebo uma carta, quando aperto os olhos por causa do sol e rio, boba, de mim mesma...Eu penso em você. E quase posso ouvir sua voz cantando Blackstar naquele dia já tão distante. E quase posso ouvir você:"_Quando o tempo passar, tu promete que pensa melhor no que eu te falei?"...Eu nem prometi dear, mas você estava certo. Ainda existem muitos cacos pelo chão, oh, são tantos cacos, e eu duvido que alguns deles algum dia voltem pro lugar; mas você estava certo, dear. Eis aqui as pequenas coisas. Você estava certo.

I love you Pumpkin

Your

H.B.

Criado e editado por ju em 10:40:41 PM |

 

Sábado, Junho 18, 2005


here comes the sun
por maria prata| revista tpm, #44

Foi minha mãe quem me ensinou a chorar. Quando eu era pequena e meus olhos se enchiam de lágrimas minha mãe me colocava no colo e dizia: "chora Maricota, chora que vai passar". E sempre passava. Numa época, eu já adolescente, ela viveu um período triste e fiquei desesperada quando um dia a encontrei chorando em casa. Mas foi ela mesma quem me consolou: "filha, a gente só sabe rir porque sabe chorar". Numa me esqueço desses momentos. São eles que me fazem, até hoje, chorar [até passar] quando estou triste, para poder rir [até doer a bochecha] quando fico feliz. Descobrindo o quão chorona eu sou, você tem idéia do tamanho da minha felicidade.

Criado e editado por ju em 8:14:25 PM |