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azar o seu querida.
[por uma vida menos ordinária.]
Quinta-feira, Setembro 15, 2005
sobre como transformar sentimentos em poesia: joão paulo cuenca
1.
Por trás das paredes
dos prédios altos
fincados nos topos
dos morros
Das coberturas
com piscina
Dos conjugados
sem vergonha
Dos carros girando
o mundo sobre rodas
Das janelas
e monitores apagados
Do rosto triste
da criança na rua
sonhando lençóis limpos
e cabelos claros
Do sangue derramado
no meu tapete
Dos pontos abertos
que nunca fecharam
Dos beijos que deram
para não dormir sós
Do sonho que sonharam
para esquecer de morrer
Da música que embala
um cinema vazio
Da prece que ecoa
numa igreja vazia
Dos quartos de hotel vazios
às quatro e meia da manhã
Das ondas que quebram vazias
às quatro e meia da manhã
Dos bares e garrafas vazias
às quatro e meia da manhã
Do samba triste e sem dono
às quatro e meia da manhã
Do latido de todos os cães
às quatro e meia da manhã
Por trás de tudo isso
às quatro e meia da manhã
Tem eu
e tem você
2.
Às vezes
eu não preciso
de uma canção
ou de uma calcinha
para lembrar de você
Às vezes
é só
o sol batendo
na calçada
6.
Depois que você saiu
todas as lâmpadas
da casa queimaram
Guardei o escuro para mim
Criado e editado por
ju em 12:55:55 AM |
Domingo, Setembro 04, 2005
sometime later - parte 1
Naquela época ainda existia tv na minha vida. E eram as vozes na tv, que ele sempre deixava ligada, que me acordavam no meio da noite, entre um ressonar e outro; enquanto eu procurava, com movimentos do corpo inconsciente, a melhor posição, ficar cada vez mais perto. Era quase um ritual. Acordar. Desligar a tv. Voltar pra cama. Vê-lo dormir. Ele não sabe, mas já naquela época não dormir junto causava insônia de saudade. Por isso eu não me importava com a tv e, ele não sabe, cumpria quase sempre meu ritual. Naquela época era felicidade vê-lo dormir. E eu observava, durante minutos e minutos, seu sono - às vezes tranqüilo, quase sempre agitado - até que eu mesma dormisse novamente. E às vezes eu lhe contava histórias baixinho, na esperança de que elas lhe trouxessem bons sonhos. Ele não sabe. Ás vezes lhe beijava os olhos. E rezava. Por ele. Por nós. Até que eu mesma dormisse novamente. Até acordar de novo, com ele me puxando pra si, com beijo de bom dia no ombro. Naquela época felicidade era beijo de bom dia no ombro. Já naquela época não dormir junto causava insônia de saudade. Ele não sabe. Naquela época eu acreditava. No fim das contas, de um jeito ou de outro, eu sempre acreditei. No fim das contas, de um jeito ou de outro, ele é que nunca acreditou em mim.
Já faz um tempo que eu não vejo tv.
Criado e editado por
ju em 12:35:48 PM |
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